Estou sem rodinhas.
"Você pensa que só sabe andar de bicicleta com rodinha, né?! Mas tá andando há tanto tempo sem rodinha, que só não consegue perceber porquê não olha pra trás".
Isso foi o que a minha psicóloga disse no fim da nossa sessão do dia 18/08/2022, e está matutando na minha cabeça até agora. E olha que na verdade eu realmente não sei andar de bicicleta!
Eu não consigo ver ou mensurar tudo que já construà até aqui, justamente por não olhar pra trás e ver de onde eu saÃ. Olho tanto pra frente, penso tanto no futuro, imagino como tudo será daqui há um tempo, mas esqueço de olhar quanta coisa já fiz, vivi, criei, imaginei e executei de fato. Eu não seria eu hoje, se várias coisas do meu passado não tivessem ocorrido (claro, falando aqui sobre umas experiências. em outras, preferia nunca ter vivido).
Quanta coisa eu já aprendi, né?! Mas qual o motivo de não ter paciência comigo e não conseguir entender que mesmo assim, ainda estou aprendendo muita coisa?!
O meu processo de ficar bem cerca um tantão de coisa. Eu quero dar conta de um tantão de coisa que muitas vezes, nem me cabe. E por quê coloco em mim essa responsabilidade? Como a Sil disse, eu não preciso dar conta de tudo. Pelo menos não agora. Nem tudo está ao meu alcance! Preciso lembrar constantemente que estou passando por um dos momentos mais delicados da minha vida. 2022 tem sido um ano difÃcil demais, e se posso dizer, até mais de 2019. Perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida, e por isso, já quis desistir várias vezes de tudo que construÃ. A morte é, de longe, a pior dor que eu já pude sentir durante toda a minha vivência até o presente momento.. É algo que ainda me dilacera, tira meu fôlego, as minhas palavras e minha concentração em qualquer coisa que faça. E ainda sim, minha vontade era viver o luto de uma maneira saudável, mas consegui só agora compreender que a vida continua e nada para. As coisas não param para que a gente consiga ficar bem! Principalmente para pessoas como eu.
Além dessa dor, esse é o meu último ano na faculdade. Entrei em 2018, e observando agora, pude notar que passou voando. Muitas expectativas foram criadas pro momento em que eu viveria o ensino superior, mas veio aà uma pandemia. São tantas coisas pra falar sobre esse perÃodo, mas escolho um outro momento. O fato é: daqui há 4 meses apresento meu trabalho de conclusão de curso, e preciso aliar isso ao fator de ter perdido uma parte de mim, que se foi com meu avô. E como fazer isso alinhando também a estar tendo que fazer dois estágios ao mesmo tempo: um para conseguir me formar e outro para conseguir viver, ganhar experiência e ser efetivada?
Aliado a tudo isso, como dar conta de tarefas da casa, relacionamento amoroso, cuidado com as pets, alimentação, famÃlia, saúde, preocupações com mudança de casa e um novo morador, contas a pagar e mais mil coisas? E o principal: como conseguir conciliar com minha depressão (em mais um pico de melancolia) e crises ansiedade que nos últimos meses têm se tornado cada vez mais frequentes?
Eu sempre me pergunto tudo isso aà em cima. E é humanamente impossÃvel dar conta de tudo. Eu aprendi com a Sil que não preciso dar conta de tudo, e que está tudo bem não me dedicar a tudo agora. Prioridades! Preciso tirar dos meus olhos todos esses elefantes que parecem ser gigantes, mas que se forem divididos em vários pequenos, serão bem mais fáceis de conseguir solucionar.
Paciência comigo, com o meu processo e com o que tenho construÃdo. Parece ser impossÃvel, mas não é! Não é, porquê mesmo tentando equilibrar vários pratinhos, estou conseguindo desenvolver uma nova área na minha empresa (mesmo sendo estagiária), estou conseguindo desenvolver meu TCC (que já está quase todo estruturado, e eu e Ingrid precisamos fazer pequenos ajustes), estou procurando mecanismos pra conseguir ficar bem, e aprender a olhar pra trás.
Olhar pra trás me dá fôlego pra continuar. Consigo lembrar que um dia o ensino superior ainda era um sonho, uma realidade muito distante (e eu consegui, mesmo estudando sozinha!). E principalmente, que nunca imaginei estar em uma empresa multinacional, passando em um processo seletivo super concorrido para todo o Brasil e sendo desenvolvida de uma maneira muito boa! Tudo que eu vivo hoje, já foi um sonho. Literalmente!
Agora consigo entender que preciso despertar e olhar pra trás: estou sem rodinhas! Agora o próximo passo é conseguir ter equilÃbrio para continuar.
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